O capitulo que tanto esperavam :3
Jacob
Respirei fundo. Sabia que ela estava em casa, por mais que quisesse que fosse mentira. Não a queria nada ver naquele momento, ou melhor, não a queria ver mais. Bati a porta, levemente. Sabia que ela me iria ouvir. Abriu a porta com um grande impulso, como se já soubesse que era eu, e largou um enorme sorriso. A minha expressão continuava a mesma, solitária e deveras zangada, o que fez a dela mudar. O seu sorriso desvaneceu-se e os seus olhos transmitiam confusão.
- Jake? Hey? Que se passa?
“Tem calma”, pensei. Que cínico dela comportar-te como se nada tivesse acontecido. Como se não soubesse de nada.
- Podemos falar?
- Claro. Entra.
Entrei na sua sala, em tons de castanho e branco, sempre com coisas fora do sítio e livros antigos espalhados. Típico dela. Afastei uma revista na pequena poltrona que ela tinha em frente ao sofá e sentei-me, quando ela se sentava no sofá.
- Fala. – Disse, sem a expressão de confusão nos olhos. Acho que ela já sabia qual o assunto da conversa.
- Não venho aqui para falar do assunto que estas a pensar. – A expressão dela mudou. A confusão voltou para os seus olhos. Hesitei, sem saber como continuar – Não venho falar dos erros que cometes-te e das mentiras que criaste, pelo contrário.
- Dos erros que cometi e das mentiras? Uau, és o maior a fazer introduções – Disse, cinicamente e revirando os olhos. Respirei fundo.
- Não vou falar disso… por agora. Vou ser directo. Quero pedir-te um favor. Quero que faças um feitiço para fazer desaparecer as cicatrizes de Katherine.
Ela olhou para mim com uma expressão aturdida. Depois, riu-se de uma maneira cínica.
- Jake, eu nem gosto dela. Tens noção disso, não tens? Por que raio iria ajuda-la?
- Por mim. Porque eu te estou a pedir.
- Jake, consegues ser tão ingénuo…
- E porque já fizeste demasiada asneira que a prejudicou.
- E? O que foi feito já está feito. – Disse, com um sorriso malicioso.
- Tu sabes quem lhe está a fazer isto. È o mínimo que podes fazer.
- Posso; mas não vou.
- Raphaella, podes não compreender isto, mas eu amo-a. Amo-a mesmo. Um sentimento que nunca sentiste. Por isso, peco-te do fundo do coração que a ajudes.
Ela riu cinicamente e levantou-se. O meu nervosismo tinha passado a raiva, e sabia que ela também estava irritada. Conseguia sentir o fogo proveniente dos seus olhos.
- Um sentimento que nunca senti? Mas o que sabes tu sobre isso? Aparece-te uma bimba e ficas todo caidinho, mas nem reparas nas raparigas que já eram doidas por ti. Será que não percebes, Jake? Estás assim tão cego? – Disse ela, brutamente.
- Só por uma rapariga estar doida por mim não significa que tenho de ser doida por ela. Aliás, nunca fui. Sempre te considerei como uma irmã mais nova, e isso não vai mudar. Nunca irá, Raphaella. – Ambos sabíamos que a rapariga era ela, por isso fui directo ao assunto.
- Uau, essa rapariga afectou-te mesmo. Ela mudou-te. Eu quero o antigo Jake de volta! O que passava tempo comigo e que não me ignorava.
- Ela não me mudou. Ou talvez até mudou, fiquei mais feliz, sabes? Mas a única coisa que mudou em relação a ti foi apenas o facto de eu finalmente ter aberto os olhos. – A conversa já estava mais que descarrilada, mas já não havia nada a fazer. Tinha de assumir as consequências. Já começava a pensar que ela não ia fazer o meu pedido.
Uns minutos de silêncio passaram-se. Ela virou-se para mim e disse:
- Ok. Eu faço-o. Mas com uma condição. Posso ser má, rude, estúpida para ela quando quiser e tu não podes fazer nada. Nada de reclamações, olhares, nada.
Agora sim, estava realmente irritado. Sentia os meus músculos a contorcerem-se. Mas o pior era não saber o porque estava assim. È claro que ela tinha abusado com a condição, mas podia ser bem pior. Mas não sei porque, não conseguia controlar a minha fúria. Ela olhava para mim, agora deveras assustada, mas sem o querer transmitir, escondendo o seu medo. Sentia as minhas unhas a cravarem-me na pele, pela força dos meus punhos fechados, e sabia que os meus olhos estavam semicerrados. Queria acalmar-me, mas não conseguia.
- J..Jake…?
Tinha de sair dali. Rapidamente. Mas um problema ainda maior é que não me conseguia mexer. Sentia-me pregado ao chão. Tentei pensar em coisas calmas, por segundos. Mas nada. Como se tivesse o meu cérebro bloqueado, preso na mesma página, não avançava. Ela continuava com uma expressão de admiração misturada com medo, e gelada a minha frente. O que iria acontecer? Iria magoa-la? Não podia. Raphaella era difícil de controlar e invejosa, mas não merecia que lhe magoasse, mesmo que ela tenha magoado as pessoas que amo. Foi ai que reparei que ambos tremíamos. Eu de raiva e ela de medo.
- Raph… Sai. – Disse, com todo o esforço que consegui arranjar e mais algum. Ela deu alguns passos para trás, tropeçando, e entrou no quarto, fechando a porta. Assim que ela saiu da minha vista, consegui acalmar-me um pouco. Sentei-me, levando as mãos á cabeça e suspirando. Como era possível ter-me descontrolado assim? Estava a um passo de me transformar e magoa-la. O que, obviamente, não poderia, sobre quaisquer circunstâncias, acontecer. Nem com ela, nem com ninguém.
Katherine
Decidi ir dar uma volta. Precisava de espairecer, de pensar um pouco. Pensei em ir a floresta, mas rapidamente afastei esse pensamento. Não podia voltar lá tão cedo. Então decidi ir um pouco a praia. Mas depois lembrei-me que devia estar cheia, e sentia-me um pouco anti-social naquele momento. Depois de pensar um pouco finalmente lembrei-me ir ao parque. Já não ia lá a tanto tempo! Algo na minha cabeça dizia-me para ir para lá.
…
Sabia que tinha saído para pensar, mas os pensamentos não vinham. Tinha as palavras presas e as memorias escondidas. Não sabia em que pensar. Lá estava eu, sentada num banco, a fazer um esforço para me lembrar de algo, o assunto em que devia pensar. Mas a minha mente estava em branco, como se tivesse sido apagada.
Que raio se passava comigo? Já quase deitava uma pequena lágrima de frustração. Sentia a minha cabeça numa confusão. E não sabia o que fazer para voltar a ficar normal. Passei a mão pelo banco, sentido a madeira dura e áspera, e soltei um suspiro. Mas valia ir para casa. Nem devia ter ido ali. Nem devia ter saído. Levantei-me, indo em direcção da estação de autocarros. Dava passos leves e calmos, consumida pela tristeza e confusão. Andava extremamente devagar, com a cabeça baixa.
No meio das minhas tentativas de me lembrar, ouvi alguém a chamar-me com um sussurro. “Katherine…” Uma voz doce e distante, que nunca ouvira antes. Até podia dizer que essa voz era capaz de hipnotizar. Olhei a minha volta, assustada e intrigada. Nada. As únicas pessoas á minha vista era um casal de namorados e uma idosa a passear o seu cão. Outro sussurro. Desta vez, olhei para trás. E foi ai que o vi. Sentado no banco donde vinha. E foi então que me lembrei de tudo.
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