Desculpem a todos ter demorado tanto, a minha cabeça tem estado um caco ultimamente e não tenho conseguido escrever nada. Sem mais nada a dizer, aqui está o capitulo:
Não consegui reagir a primeira tentativa. Senti tudo a voltar a minha mente como um tiro. Mas não era possível. Porem, este estava ali sentado. A sorrir para mim com um sorriso divertido e cínico. Estava vestido da mesma maneira.
Tinha a certeza que era ele. O homem que apareceu nos meus sonhos na noite passada. Pensei em ir ter com ele confronta-lo, mas tinha medo. Cada nervo do meu corpo transmitia uma palavra á minha mente: perigo. Ele transmitia perigo. Aqueles olhos mostravam morte. Não sabia porque, mas tinha certeza disso.
Mas parte de mim queria confronta-lo e exigir saber o que ele queria de mim. E saber como entrara nos meus sonhos. Sim, porque isso era de doidos. Se disse-se a alguém que aquele homem arranjou uma maneira de entrar nos meus sonhos chamavam-me de maluca. Bem, mas tenho de admitir que algo assim já aconteceu. E a minha barriga pode provar isso. A quem poderia contar isto? Bem, Jacob sabia do outro caso e não me julgara. Até acreditara em mim. Tambem podia contar com Emily. Mas sentia receio de lhes contar. Passou-me pela cabeça que o sujeito pudesse fazer-lhes mal.
Sem pensar mais, dei um passo na direcção dele. Tinha medo, sim, mas a vontade de saber o que se passava ultrapassava tudo. Quem sabe, ele podia estar relacionado com o primeiro sonho. Ou podia fazer com que tudo parasse. O que é muito pouco provável, porque tinha o pressentimento que ela não ia fazer os problemas desaparecer mais piorar ainda mais as coisas.
Ai, a minha cabeça estava numa confusão. Demasiado para mim em tão pouco tempo. Demasiada coisa inacreditável. Cheguei-me ao pé dele e o medo foi crescendo. Tive medo de gaguejar, então falei rápido.
- Quem és? E o que queres de mim?
- Não quero nada de ti; quero-te a ti.
Não soube reagir perante tais palavras. Imaginei mil e uma coisas nos segundos de hesitação dele, mil possíveis respostas, mas não aquela. Queria sair dali, tinha de sair dali. Respirava depressa, e estava a tentar controlar-me para não tremer. Ouvi um autocarro atrás de mim: a minha salvação. Corri antes de ele partir, sem olhar para trás, e apanhei-o.
…
Tentava apressar o passo, mas a areia ia entrando nos ténis e isso tornava as coisas mais complicadas. Mas já avistava a casa, o que me fazia andar ainda mais rápido. Não fazia ideia do que lhe dizer, como lhe explicar o que se estava a passar na minha cabeça, mas precisava de alguém. Estava com medo daquele sujeito. Muito medo.
Finalmente cheguei ao alpendre e bati duas vezes a porta, com tanta força que magoei a mão. Larguei a mala no chão e comecei a descalçar-me, para não lhe sujar a casa de areia, e quando ia tirar o segundo, ele abriu a porta.
- Precisamos de falar – foi tudo o que consegui dizer.
Jacob Black
Ela entrou em casa, lentamente, como se temesse alguma coisa. Olhava para todos os lados, tremia, e respirava apressadamente. Sentou-se no sofá e olhou para mim, com uma dor nos olhos que me corroía por dentro. Não conseguia suportar, apenas… aqueles olhos carregados de dor e medo queimavam-me. Os olhos que antes eram cobertos de alegria eram agora um poço de tristeza sem fim.
- Q… que se passa?
- Ajuda-me a descobrir o que se passa comigo, Jacob. Já não aguento mais. – Queria dizer algo, mas ela continuou a falar. Baixou o olhar, deixando de me encarar. – Não sei como dizer-te. Passei a viagem toda a ensaiar as palavras na minha cabeça, mas acho que foi-se tudo. Bem, ontem á noite tive outro sonho. Um homem apareceu, e numa questão de segundos apareceu um lobo. O lobo. O mesmo que apareceu no primeiro sonho. Quando acordei, tentei desviar a minha mente do assunto. Mais tarde, quando fui ao parque, vi o mesmo homem sentado num banco a olhar para mim. Tinha a certeza que era o mesmo. Não sei onde arranjei a coragem de ir ter com ele. Perguntei-lhe quem era e o que queria de mim. Ele disse que me queria a mim. Nesse momento fugi. Meti-me num autocarro e vim ter contigo. Sinto que és o único que me pode ajudar. Não sei o que se passa, como isto pode acontecer, mas tenho medo das respostas. Só quero que acabe.
Foi nesses momentos que juntei as peças. Lembrei-me das exactas palavras de Emily.
“ Raphaella contou-me a verdade. – era difícil para ela de falar em condições, respirava com dificuldade e dizia as palavras por entre suspiros – E apreciou cada palavra que disse. Ela disse que não sabia a história toda, que tu matas-te uma rapariga a alguns anos a trás, e o irmão dela, ou namorado, quer vingança em alguém que ames. Quando soube que tu tinhas uma impressão nela, ele decidiu matar Kate. Como tentou no sonho dela. E como já deves ter adivinhado, ele é um lobisomem. E não descansar até ver sangue.”
Ele já não a queria matar. Ele queria-a só para ele. Sentia nojo só de pensar nisso. Kate noutros braços sem ser os meus. Especialmente nos braços de alguém que já a tentou matar.
Mas só não entendia porquê. Sentia raiva a encher o meu coração. Mas vinha com tanta dor que não era capaz de mais nada. Não era capaz de me passar como me passei com R.
Acho que de tanto a vigiar e persegui-la na tentativa de a matar, ele descobriu o diamante que Kate realmente é. E apaixonou-se por ela. Agora a única maneira era de o matar. Não posso deixar que fique com ela. Que a magoe. Que possua. Não posso.
Sentia palavras e mais palavras a percorrer-me a mente, de forma tão rápida que doía, e não conseguia parar. Ódio, medo, amor, nojo, raiva, paixão, tudo, todos os sentimentos possíveis, numa bola enorme e barulhenta.
- Tinha um certo medo de te contar, sabias? Temia que ele descobrisse e te viesse magoar. – Disse ela, interrompendo a linha dos meus pensamentos.
Olhei para ela. Fitava os olhos em mim, com lágrimas. Fui até ela e abracei-a, para ela não chorar mais, mas teve o efeito contrário e as suas lágrimas soltaram-se cada vez mais.
- Não chores Kate. Vai ficar tudo bem. Estou ao teu lado.
- Como Jake? Como? Se nós nem sabemos o que fazer. Não sabemos nada sobre ele. Estamos perdidos, na estaca zero. E ele sabe tudo. Está um passo á nossa frente.
- Havemos de arranjar uma solução, ok? Ele não te vai tocar.
- Eu… estou tão confusa. Nada disto pode ser realidade. Nada disto é possível.
- O mundo não é só feito pelo que tu conheces, Katherine. Há tanta escuridão neste muito que nem te passa pela cabeça.
Kate optou pelo silêncio. Largou-me e arrastou-se até ao sofá, sentando-se e desviando o olhar, enquanto eu continuava a olhar para ela.
- Porque não vais dormir um pouco? Precisas de descansar. Anda, eu levo-te até ao quarto – dei-lhe a mão e subimos as escadas. Ela deitou-se na cama, com uma expressão apagada, e eu pus-lhe um cobertor em cima. Dei-lhe um beijo na testa e sai. Só espero que ela consiga dormir.
A medida que ia descendo as escadas ouvi alguém bater a porta. Antes de puder abrir a porta, Nate já tinha entrado, com um sorriso colado a cara.
- Hey bro. Que fazes?
- Fui por Kate a dormir – suspirei – tu?
- Vinha ver se querias vir acampar connosco hoje. Espera ai, por a Kate a dormir? O que aconteceu?
Expliquei-lhe por breves palavras os acontecimentos que tinham ocorrido e ele disse que ela também devia ir, pois era bom para ela desanuviar. Até achei boa ideia, os nossos acampamentos são sempre bastante divertidos. Levamos as tendas para a floresta, alguns jogos e por vezes o portátil do Pete, e passamos lá a noite. Normalmente não costumamos levar comida, pois vamos caçar, mas desta vez vai ter de ser…
- Sim, é boa ideia. Eu pergunto-lhe se ela quer ir quando acordar.
- Ok. Depois diz-me alguma coisa. Eu vou ter com o Drew. Até já, meu.
Nate saiu e sentei-me no sofá. Tentava cuidar da minha mente, deixar as coisas más de lado, mas estava a ser difícil. Nestes dias tinha andado mais depressivo do que em toda a minha vida. Ter encontrado Katherine fez entrar muitas coisas na minha vida. Demasiadas. Por vezes, só queria ter uma vida normal. Não é que não tenha gostado de encontrar Kate, muito pelo contrário, ela é a melhor coisa na minha vida, mas o que faz ficar neste estado é o facto de saber que estou a arrastar para esta vida. È um pouco difícil de compreender. Mas sei que ela partilhava o mesmo sentimento, embora não saber a verdade completa.
- Jacob.
Virei-me, e lá estava ela. Embrulhada no meu lençol, que vinha desde as escadas até onde ela se encontrava. Com uma expressão desconhecida, ela tinha um ar inocente e cansado.
- Não consigo dormir. Não quero estar sozinha. Posso ficar contigo um bocadinho? È tudo o que eu quero.
As suas palavras queimavam-me a alma. A dor no seu olhar, a sua expressão, as suas palavras. Senti que morrera um pouco por dentro, mas senti-me unicamente feliz pois sabia que ela precisava de mim e eu podia ajuda-la. Tomei-a nos meus braços, e deixamo-nos ficar assim durante um bons minutos. Nada mais importava, o universo não existia em nosso redor, a única coisa que envolvia a minha mente era Katherine e a paixão que sentia por ela.
-Jake?
-Sim?
- Posso ficar contigo no sofá? Fazes-me sentir segura e não te quero largar.
Sentei-me e ela sentou-me ao meu lado, recostando a sua cabeça no meu ombro. Pus o cobertor sobre ela e ela fechou os olhos, suspirando. Talvez agora já conseguisse dormir.
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